Artigos › 28/11/2018

Impulsos – Evangelho segundo S. Mateus 4

„Não só de pão o homem viverá“ – Mt 4,4

Honra, glória, poder e louvor /a Jesus, nosso Deus e Senhor.

  1. É Ele o Pão que se vai repartir: /O Pão da Palavra que vamos ouvir.
  2. O homem não pode viver só de pão / mas vive quem guarda a Palavra de Deus.

Pe. José Weber – Cantemos ….. n° 451

Evangelho segundo S. Mateus 4,12-23.
Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia. Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali, para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara: Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios. O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz. A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.» E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no. Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.

„E eles deixaram as redes para segui-lo“ – Mt 4,20

[Sai da tua terra e vai / onde te mostrarei.:]

  1. Abraão, é uma loucura se tu partes: / abandonas a tua casa / o que esperas encontrar? / A estrada é sempre a mesma / mas a gente diferente te é inimiga: / onde esperas tu chegar? / O que tu deixas já bem conheces, / mas o teu Deus o que te dá? / Um povo grande, a terra / e a promessa: Palavra de Javé.
  2. A rede está na praia abandonada / pois aqueles pescadores / já seguiram a Jesus. / E enquanto caminhavam pensativos / no silêncio uma pergunta / nasce em cada coração: / O que deixaste tu tem conheces / mas teu Senhor o que te dá? / O cêntuplo e a mais / a eternidade: Palavra de Jesus.
  3. Partir não é tudo, certamente / há quem parte e nada dá: / busca sua liberdade; partir, mas com a fé no teu Senhor / com o amor aberto a todos / leva ao mundo a Salvação. / O que deixaste tu bem conheces / o que tu levas é muito mais: / „Pregai entre os povos / o Evangelho“ – Palavra de Jesus.

Sai da tua terra e vai / onde te mostrarei. / Sai da tua terra e vai: / contigo estarei. – Pe. José Weber – Cantemos ….. n° 835

Eles, deixando imediatamente as redes, o seguiram“ – Mt 4,20.22

  1. Há um barco esquecido na praia / já não leva ninguém a pescar. / É o barco de André e de Pedro / que partiram pra não mais voltar. / Quantas vezes partiram seguros / enfrentando os perigos do mar! / Era chuva, era noite, era escuro / mas os dois precisavam pescar.

De repente aparece Jesus / pouco a pouco se acende uma luz. / É preciso pescar diferente / que o povo já sente que o tempo chegou. / E partiram, sem mesmo pensar / nos perigos de profetizar. / Há uma barco esquecido na praia, [:um barco esquecido na praia:].

  1. Há um barco esquecido na praia / já não leva ninguém a pescar. / É o barco de João e Tiago / que partiram pra não mais voltar. / Quantas vezes em tempos sombrios / enfrentado os perigos do mar / barco e rede voltavam vazios / mas os dois precisam pescar.
  2. Quantos barcos deixados na praia / entre eles o meu deve estar. / Era o barco dos sonhos que eu tinha / mas eu nunca deixei de sonhar. / Quantas vezes enfrentei o perigo / no meu barco de sonho a singrar / Jesus Cristo remava comigo: / eu no leme, Jesus a remar …

De repente me envolve uma luz / e eu entrego o meu leme a Jesus / É preciso pescar diferente / que o povo já sente que o temp chegou. / E partimos pra onde Ele quis. / Tenho cruzes, mas vivo feliz. / Há um barco esquecido na praia, [:um barco esquecido na praia:].

Cantemos ….. n° 936

Eles, deixando imediatamente as redes, o seguiram“ – Mt 4,20.22

  1. Tu Te abeiraste da praia / não buscaste nem sábios, nem ricos / somente queres que eu Te siga.

Senhor, Tu me olhaste nos olhos / a sorrir, pronunciaste meu nome. / Lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.

  1. Tu sabes bem que em meu barco / eu não tenho nem ouro nem espada / somente redes e o meu trabalho.
  2. Tu, minhas mãos solicitas / meu cansaço que a outros descanse / amor que almeja seguir amando.
  3. Tu, pescador de outros lagos / ânsia eterna de almas que esperam / bondoso amigo que assim me chamas.

Cantemos ….. n° 946

Lansperge le Chartreux (1489-1539), religioso e teólogo
Sermão 5; Opera Omnia

«O povo que habitava nas trevas viu elevar-se uma grande luz» (Is 9,1)

Meus irmãos, ninguém ignora que todos nós nascemos nas trevas e que nelas vivemos outrora. Mas façamos por não continuar nelas, agora que o sol de
justiça nasceu para nós. (Ml 3,20)…
Cristo veio «iluminar aqueles que jazem nas trevas e nas sombras da morte, para guiar os seus passos no caminho da paz» (Lc 1,79). De que trevas falamos? Tudo aquilo que está na nossa inteligência, na nossa vontade ou na nossa memória e que não é Deus ou não provém de Deus, melhor dizendo, tudo aquilo que em nós não é para glória de Deus e causa separação entre Deus e a alma, é trevas… É que Cristo, tendo em Si a luz, trouxe-a até nós para que pudéssemos ver os nossos pecados e odiar as nossas trevas. Na verdade a pobreza que Ele escolheu quando não encontrou lugar na hospedaria é para nós a luz pela qual podemos conhecer, a partir de então, a felicidade dos pobres em espírito a quem pertence o Reino dos céus (Mt 5,3).
O amor de que Cristo deu testemunho consagrando-se à nossa instrução e expondo-se a suportar por nós as vicissitudes, o exílio, a perseguição, as chagas e a morte na cruz, o amor que finalmente o fez orar pelos seus carrascos é, para nós, a luz graças à qual podemos aprender a amar, também nós, os nossos inimigos.

Evangelho segundo S. Mateus 4,12-17.23-25.
Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia. Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali, para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara: Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios. O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz. A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades. A sua fama estendeu-se por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que sofriam de qualquer mal, os que padeciam doenças e tormentos, os possessos, os epilépticos e os paralíticos; e Ele curou-os. E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

  1. Romano, o Melódio (? – cerca de 560), compositor de hinos
    Hinos para a Epifania

”Os que habitavam no país da sombra e da morte viram uma grande luz”

Tu te manifestaste hoje ao universo e a tua luz, Senhor, nos apareceu. Por isso, nós te cantamos: “Tu vieste, Tu te manifestaste, Tu, a luz inacessível!…”
Na Galileia das nações, na terra de Zabulão, na terra de Neftali, tal com diz o profeta, Cristo, a grande luz, resplandeceu (Is 8,23; 9,1). Para aqueles que  andavam nas trevas brilhou uma grande claridade, que brotou de Belém: o Senhor, nascido de Maria, o Sol da justiça, envia os seus raios para o universo inteiro (Ml 3,20). Venhamos todos nós, os filhos de Adão, que estamos nus, revistamo-nos dele para nos aquecermos. Foi para vestir os que estão nus, para iluminar os que estão nas trevas, que te manifestaste, Tu, a luz inacessível.
Deus não desprezou aquele que, no paraíso, foi despojado das suas vestes por astúcia e perdeu a túnica tecida pelas mãos de Deus. Volta a ele e chama o desobediente com a sua voz santa: “Adão, onde estás? (Gn 3,9). Deixa de te esconderes de mim. Por muito nu, por muito pobre que estejas, quero ver-te.
Não tenhas medo, Eu fiz-me semelhante a ti. Desejavas tornar-te deus e não conseguiste. Agora, porque o quis, fiz-me carne. Avança pois, reconhece-me e diz: Tu vieste, Tu te manifestaste, Tu, a luz inacessível”… Canta, canta,  Adão; adora aquele que vem a ti. Quando tu te afastavas, Ele se manifestou a ti para se fazer ver, tocar, acolher. Aquele que temeste quando foste enganado pelo demônio, por ti fez-se semelhante a ti. Desceu à terra para te levar aos céus; tornou-se mortal para que te tornes Deus e recuperes a tua primitiva beleza. Querendo abrir-te as portas do Éden, habitou em Nazaré. Por tudo isso, ó homem, canta e louva com os teus cânticos aquele que se manifestou e iluminou o universo.

Evangelho segundo S. Mateus 4,18-22.
Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.» E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
II Sermão para a festa de Santo André

O martírio de Santo André, Apóstolo

“Ó Cruz, tão longamente desejada, agora oferecida às aspirações da minha alma! A ti venho, pleno de júbilo e segurança. Recebe-me com alegria, a mim, discípulo daquele que esteve suspenso dos teus braços…” Assim falava [diz a tradição] Santo André, vendo ao longe a cruz erguida para o seu suplício. De onde vinha a este homem tão espantosa alegria e exultação? De onde vinha tanta constância a ser tão frágil? Onde ia este homem buscar alma tão espiritual, caridade tão fervorosa, vontade tão forte? Não pensemos que ia buscar tão grande coragem a si mesmo; tratava-se do dom perfeito proveniente do Pai das luzes (Jc 1, 17), do único que faz maravilhas. Era o Espírito Santo que vinha em auxílio da sua fraqueza, difundindo-lhe no coração uma caridade forte como a morte, e mesmo mais forte do que a morte (Ct 8, 6).
Praza a Deus que também nós, hoje, tenhamos parte nesse Espírito! Porque se o esforço da conversão é para nós penoso, se nos aborrece velar, é unicamente devido à nossa ind igência espiritual. Se o Espírito Santo estivesse presente em nós, viria certamente em auxílio da nossa fraqueza. Faria por nós o mesmo que fez por Santo André diante da cruz e da morte: retirando ao labor da conversão o seu carácter penoso, torná-lo-ia desejável, e mesmo delicioso. […] Irmãos, procuremos este Espírito, empenhemos todos os nossos cuidados em obtê-lo, ou em possuí-lo de forma mais plena se já o temos. Porque “se alguém não tem o espírito de Cristo, não lhe pertence” (Rom 8, 9) […] Devemos, pois, tomar a nossa cruz com Santo André, ou antes, com Aquele que ele seguiu, o Senhor, o nosso Salvador. A causa da sua alegria foi ter morrido, não apenas com Ele, mas como Ele; assim intimamente unido à sua morte, reinaria com Ele. […] Porque a nossa salvação está nesta cruz.

Basílio de Selêucia (? – cerca de 468), bispo
Sermão em honra de Santo André

O primeiro discípulo do Senhor

André foi o primeiro a reconhecer o Senhor como seu mestre… O seu olhar percebeu a vinda do Senhor e deixou os ensinamentos de João Batista para entrar na escola de Cristo… João Batista tinha dito: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem o acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre.
Levado por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e corre para quem ele anunciava…, levando consigo João, o evangelista. Ambos deixam a lâmpada (Jo 5,35) e caminham para o Sol… Tendo reconhecido o profeta de quem Moisés dissera: “É a ele que escutareis” (Dt 18,15), André conduz até ele o seu irmão Pedro. Mostra a Pedro o seu tesouro: “Encontramos o Messias (Jo 1,41), aquele que desejávamos; vem agora saborear a sua presença”. Ainda antes de ser apóstolo, conduz a Cristo o irmão… Foi o seu primeiro milagre.

S. João Crisóstomo (cerca de 345-407), bispo de Antioquia e depois de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia sobre o Evangelho de João

Primeiro a ser chamado, primeiro a testemunhar

“Como é doce e agradável viverem os irmãos na unidade” (Sl 132,1). André, depois de ter ficado com Jesus (Jo 1,39) e de ter aprendido muito, não guardou esse tesouro só para si: apressa-se a correr para junto de seu irmão Simão-Pedro para o fazer participar dos bens que ele próprio recebeu. Ouve o que ele diz ao irmão: “Encontramos o Messias, quer dizer, o Cristo” (Jo, 1,41). Estás a ver o fruto do que acabava de aprender em tão pouco tempo? Isso demonstra ao mesmo tempo a autoridade do Mestre que ensinou os discípulos e, desde o início, o seu zelo para o conhecerem.
A pressa de André, o seu zelo em espalhar logo de seguida esta tão boa nova, supõe uma alma que anseava por ver o cumprimento de tantas profecias respeitantes a Cristo. Partilhar assim estas riquezas espirituais foi mostrar uma amizade verdadeiramente fraterna, uma afeição profunda e um temperamento cheio de sinceridade… “Nós o encontramos, ao Messias, diz ele, não um messias qualquer, mas o Messias que esperávamos.”

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