Artigos › 28/11/2018

Impulsos – Evangelho segundo S. Mateus 3

Evangelho segundo S. Mateus 3,1-12.
Naqueles dias, apareceu João, o Batista, a pregar no deserto da Judeia. Dizia: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» Foi deste que falou o profeta Isaías, quando disse: Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. João trazia um traje de pelos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Iam ter com ele os de Jerusalém, os de toda a Judeia e os da região do Jordão, e eram por ele baptizados no Jordão, confessando os seus pecados. Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de conversão e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: ‘Temos por pai a Abraão!’ Pois, digo-vos: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo. Eu baptizo-vos com água, para vos mover à conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar vos no Espírito Santo e no fogo. Tem na sua mão a pá de joeirar; limpará a sua eira e recolherá o trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível.»

Concílio Vaticano II
Gaudium et spes § 39
“Preparai o caminho do Senhor”

Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude; não sabemos que transformação sofrerá o universo. A aparência deste mundo, desfigurado pelo pecado, passará, mas Deus prepara-nos uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e ultrapassará todos os desejos de paz que se levantam no coração do homem. Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo, e aquilo que foi semeado na fraqueza e corrupção, revestir-se-á de incorruptibilidade. A caridade e as suas obras permanecerão e toda esta criação que Deus fez para o homem será libertada da escravidão do pecado.
Somos bem advertidos: não há nenhuma vantagem em ganhar o mundo inteiro se nos perdermos a nós próprios. A expectativa da nova terra não deve, porém, diminuir, mas antes excitar ainda mais o cuidado de desenvolver a nossa terra: é aí que cresce corpo da nova família humana, que já consegue apresentar um esboço do mundo futuro … Sobre a terra, o Reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, este Reino atingirá a sua perfeição.

Evangelho segundo S. Mateus 3,13-17.
Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou. Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

Um pai deve dizer a seu filho que o ama, sugere o pregador do Papa
Comenta o Evangelho da festa do Batismo do Senhor

ROMA, sexta-feira, 7 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, ao Evangelho da liturgia do próximo domingo, 9 de janeiro (Mt 3, 13-17), festa do Batismo do Senhor.
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Mateus (3,13-17)
Então aparece Jesus, que vem da Galileia ao Jordão, onde está João, para ser batizado por ele. Mas João tentava impedi-lo dizendo: «Sou eu quem precisa ser batizado por ti, e tu vens a mim?». Jesus respondeu: «Deixa-me agora, pois convêm que assim cumpramos toda justiça». Então deixou. Batizado Jesus, saiu logo da água; e nisso se abriram os céus e veio ao Espírito de Deus que baixava em forma de pomba e vinha sobre ele; e uma voz que saía dos céus dizia: «Este é meu Filho predileto, em quem me comprazo».
Quando se escreve a vida dos grandes artistas e poetas, sempre se tenta descobrir a pessoa (em geral a mulher) que foi, para o gênio, a fonte de inspiração, a musa freqüentemente escondida. Também na vida de Cristo encontramos um amor secreto que foi o motivo inspirador de tudo o que fez: seu amor pelo Pai celestial. Agora, com ocasião do Batismo no Jordão, descobrimos que este amor é recíproco. O Pai proclama Jesus seu «Filho predileto» e lhe manifesta toda sua complacência enviando sobre ele o Espírito Santo, que é seu próprio amor personificado.
Segundo a Escritura, como a relação homem-mulher tem seu modelo na relação Cristo-Igreja, assim a relação pai-filho tem seu modelo na relação entre Deus Pai e seu Filho Jesus. De Deus pai «toda paternidade nos céus e na terra toma nome» (Ef 3, 15), isto é, tira existência, sentido e valor. É uma ocasião para refletir sobre este delicado tema. Quem sabe por que a literatura, a arte, o espetáculo, a publicidade exploram uma só relação humana: a de fundo sexual entre o homem e a mulher, entre o marido e a esposa. Deixamos ao contrário quase de tudo inexplorada outra relação humana igualmente universal e vital, outra das grandes fontes de alegria da vida: a relação pais-filhos, a alegria da paternidade.
Como o câncer ataca habitualmente os órgãos mais delicados no homem e na mulher, assim o poder destruidor do pecado e do mal ataca os gânglios mais vitais da existência humana. Não há nada que seja submetido ao abuso, à exploração e à violência como a relação homem-mulher, e não há nada que esteja tão exposto à deformação como a relação pai-filho: autoritarismo, paternalismo, rebelião, rejeição, falta de comunicação… O sofrimento é recíproco. Há pais cujo sofrimento mais profundo na vida é ser rejeitados ou diretamente depreciados pelos filhos, pelos quais fizeram tudo que puderam. E há filhos cujo mais profundo e não confessado sofrimento é sentir-se incompreendidos ou rejeitados pelo pai, e que em um momento de irritação, talvez ouviram dizer do próprio pai: «Tu não és meu filho!». Que fazer? Ante tudo crer. Reencontrar a confiança na paternidade. Pedir a Deus o dom de saber ser pai. Depois, esforçar-se também em imitar o Pai celeste.
São Paulo traça assim a relação pais-filhos: «Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é grato a Deus no Senhor. Pais, não exaspereis vossos filhos, não seja que se desanimem» (Col 3, 20-21). Aos filhos recomenda a obediência, mas uma obediência filial, não de escravos ou de militares; aos pais, que «não exasperem» os filhos; isto é, em sentido positivo, ter paciência, compreensão, não exigir tudo imediatamente, saber esperar que os filhos amadureçam, saber discutir seus erros. Trata-se de não desalentar com contínuas rejeições e observações negativas, mas animar cada pequeno esforço. Comunicar sentido de liberdade, de proteção, de confiança em si mesmos, de segurança.
Como faz Deus, que diz querer ser sempre para nós uma «rocha de defesa» e uma «ajuda sempre cercada nas angústias» (Sal 46). Não tenhais medo de imitar alguma vez, à letra, Deus Pai e de dizer ao próprio filho ou filha: «Tu és meu filho amado! Tu és minha filha amada! Estou orgulhoso de ti, de ser teu pai!». Se sai do coração no momento adequado, esta palavra faz milagres, dá asas ao coração do jovem e da jovem. E para o pai é como gerar uma segunda vez, mais conscientemente, o próprio filho.

[Original italiano publicado por «Famiglia Cristiana». Tradução realizada por Zenit]
ZP05010708

  1. Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
    Sermão 39

«Deste modo devemos cumprir perfeitamente o que é justo»

Hoje, Cristo é iluminado: entremos também nós no esplendor da Sua luz. Hoje, Cristo é  baptizado: desçamos com Ele à água, para podermos subir com Ele à glória…
João está a baptizar e Jesus aproxima-Se. Talvez tenha em vista santificar aquele por quem vai ser baptizado; mas o que é certo é que Ele quer sepultar nas águas todo o velho Adão. Ele que é Espírito e carne santifica o Jordão, para assim nos iniciar nos sagrados mistérios mediante o Espírito e a água (Jo 3, 4). João Batista resiste, Jesus insiste. «Eu é que devo ser baptizado por Ti», diz a lâmpada ao Sol (Jo 5, 35), o amigo ao Esposo (Jo 3, 29), o maior entre os nascidos de mulher ao Primogênito de toda a criatura (Mt 11, 11; Col 1, 15).
Jesus sobe das águas, elevando consigo o mundo inteiro. Vê abrirem-se os céus de par em par, aqueles céus que Adão tinha fechado para si e para a sua posteridade, do mesmo modo que tinha feito encerrar e guardar com a espada de fogo a entrada no paraíso terreal (Gén 3, 24). O Espírito dá testemunho da divindade de Cristo, aparecendo sobre Ele como um igual. E vem uma voz do céu, donde procedera precisamente Aquele de quem se dava  testemunho; e apareceu em forma corporal de pomba, para assim honrar o Corpo de Cristo, que é também divino pela sua excepcional união com Deus.

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