Artigos › 18/03/2018

Impulsos Evangelho segundo S. Mateus 1

Evangelho segundo S. Mateus 1,1-17.

Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos; Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame; Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias; Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia. Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur; Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob. Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. Assim, o número total das gerações é, desde Abraão até David, catorze; de David até ao exílio da Babilónia, catorze; e, desde o exílio da Babilónia até Cristo, catorze.
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.

Beato Guerric d’Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense
II Sermão para a Natividade de Maria

“Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo”

Celebramos hoje o nascimento da bem-aventurada Virgem Mãe, de quem nasceu Aquele que é a vida de todos. Hoje nasceu a Virgem de quem quis nascer a salvação de todos, a fim de dar àqueles que nascem para morrer o poder de renascerem para a vida. Hoje nasceu a nossa nova Mãe, que anulou a maldição de Eva, a nossa primeira mãe; assim, por Ela, herdamos agora a bênção, nós que, pela nossa primeira mãe, tínhamos nascido sob a maldição antiga. Sim, Ela é certamente uma nova Mãe, aquela que renovou em juventude filhos envelhecidos, aquela que curou o mal de um envelhecimento hereditário, bem como de todas as formas de envelhecimento que lhe tinham sido acrescentadas. Sim, Ela é certamente uma Mãe nova, que concebeu por um prodígio tão novo, permanecendo virgem, aquela que trouxe ao mundo Aquele que criou o mundo.

Maravilhosa novidade é esta virgindade fecunda! Mas bem mais maravilhosa é ainda a novidade do fruto que Ela trouxe ao mundo. Perguntas como foi que uma virgem deu à luz o S alvador? Como a flor da vinha difunde o seu perfume. Muito tempo antes do nascimento de Maria, o Espírito que viria habitar nela dizia em seu nome: “Como a vinha, produzi um doce odor” (Si 24, 17). Assim como a flor não se altera por ter dado o seu perfume, o mesmo acontece com a pureza de Maria por ter produzido o Salvador.

Também tu, se guardares a perfeição da castidade, não somente “a tua carne voltará a florir” (Sl 27, 2), como se derramará sobre todo o teu ser uma santidade proveniente de Deus. O teu olhar deixará de ser desregrado, de estar perdido, mas estará embelezado pelo pudor; toda a tua pessoa ficará ornamentada com as flores da graça da pureza.

Concílio Vaticano II
Constituição sobre a Revelação divina, Dei Verbum, 3-4

«Muitas vezes no passado Deus falou aos nossos pais… ; mas nos últimos tempos, nestes dias em que estamos, falou-nos pelo Seu Filho» (He 1, 1-2)

Deus, que pelo Seu Verbo cria e conserva todas as coisas, apresenta aos homens, através do mundo criado, um incessante testemunho de si mesmo (Rom 1, 20); querendo abrir o caminho da salvação eterna, manifestou-se logo no princípio aos nossos primeiros pais… Sem descanso, mostrou a Sua solicitude para com todo o género humano, a fim de dar a vida eterna a todos aqueles que buscam a salvação perseverando no bem. No momento marcado, ele chamou Abraão para fazer dele o pai de um grande povo; depois dos patriarcas, foi por Moisés e pelos profetas que formou esse povo, para que o reconheçam como o único Deus vivo e verdadeiro, como o Pai previdente e o juiz justo, e para que esperem o Salvador prometido. Foi assim que, ao longo dos séculos, Ele preparou o caminho ao Evangelho.
«Depois de ter falado, muitas vezes e de muitas maneiras, através dos profetas, Deus, nestes dias que são os últimos, falou-nos através do Seu Filho» (Hb 1, 1-2). Com efeito Ele enviou o Seu Filho, quer dizer o Verbo eterno que «ilumina todos os homens» (Jo 1,9), para habitar entre os homens e lhes dar a conhecer os segredos de Deus. Jesus Cristo, o Verbo feito carne, enviado «como homem aos homens», «pronuncia então as palavras de Deus» (Jo 3, 34) e conclui a obra da salvação que o Pai lhe confiou. Aquele que vê Cristo vê também o Pai (Jo 14,9), por isso é que Jesus Cristo, através da Sua presença, através de tudo o que mostra de Si próprio, através das Suas palavras, através das Suas obras, através dos Seus sinais, através dos Seus milagres, mas sobretudo através da Sua morte e da Sua gloriosa ressurreição de entre os mortos e, por fim através do envio do Espírito de verdade, conclui a revelação deixando-a acabada.

João Paulo II
Redemptoris Custos, 25-26

A primazia da vida interior em S. José

O mesmo clima de silêncio, que acompanha tudo aquilo que se refere à figura de José, estende-se também ao seu trabalho de carpinteiro na casa de Nazaré. Trata-se de um silêncio que desvenda de maneira especial o perfil interior desta figura. Os Evangelhos falam exclusivamente daquilo que José «fez»; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas «ações», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava quotidianamente em contacto com o mistério «escondido desde todos os séculos», que «estabeleceu a sua morada» sob o tecto da sua casa. Isto explica, por exemplo, a razão por que Santa Teresa de Jesus, a grande reformadora do Carmelo contemplativo, se tornou promotora da renovação do culto de São José na cristandade ocidental.

O sacrifício total, que José fez da sua existência inteira, às exigências da vinda do Messias à sua própria casa, encontra a motivação adequada na «sua insondável vida interior, da qual lhe provêm ordens e consolações singularíssimas; dela lhe decorrem também a lógica e a força, própria das almas simples e límpidas, das grandes decisões, como foi a de colocar imediatamente à disposição dos desígnios divinos a própria liberdade, a sua legítima vocação humana e a felicidade conjugal, aceitando a condição, a responsabilidade e o peso da família e renunciando, por um incomparável amor virgíneo, ao natural amor conjugal que constitui e alimenta a mesma família».

Esta submissão a Deus, que é prontidão de vontade para se dedicar às coisas que dizem respeito ao seu serviço, não é mais do que o exercício da devoção, que constitui uma das expressões da virtude da religião [segundo S. Tomás de Aquino].

Santo Hipólito de Roma (? – c. 235), presbítero e mártir
Refutação de todas as heresias

Da nossa mesma substância

Sabemos que o Verbo assumiu um corpo no seio da Virgem e transformou o homem velho numa nova criação. Sabemos que Se fez homem da nossa mesma substância. Se não fosse assim, em vão nos mandaria que O imitássemos como mestre. Se este homem tivesse sido formado de outra substância, como poderia impor-me a mim, débil por nascimento, as mesmas coisas que Ele fez? Como poderíamos, em tal caso, dizer que Ele é bom e justo?
Mas para que ninguém pensasse que era diferente de nós, suportou o trabalho, quis ter fome, não recusou a sede, dormiu para descansar, não rejeitou o sofrimento, submeteu-Se à morte e manifestou a sua ressurreição. Em tudo isto, ofereceu a sua humanidade como primícias, para que tu não desanimes no meio do sofrimento, mas, reconhecendo-te homem, esperes também tu receber o que a Ele foi oferecido.

Evangelho segundo S. Mateus 1,16.18-21.24.

Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa.

Evangelho segundo S. Mateus 1,18-23.

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.

„A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José …“ – Mt 1,18

  1. Seu nome era José, o carpinteiro / trabalhava dia e noite e noite e dia; / casou-se com Maria tão meiga e tão singela / e dizem que mulher não haverá igual a ela.
  2. Menina diferente era Maria / que vivia como Deus a inspirava / não era uma criança que não sabe o que a espera: / sabia muito bem que o amanhã não é quimera.
  3. Às vezes penso em José / querendo compreender sua fé / ou fico a imaginar quem foi Maria / e a vejo sempre ao lado de José. / Por vezes uma angústia me persegue / e pergunto pra Maria e pra José:

[:Por que será que o mundo não consegue / entender o que se deu em Nazaré?:]

  1. Seu nome era Jose, o carpinteiro / trabalhava de manhã a sol se pôr / vivia com Maria louvando o Senhor / e dizem que ninguém jamais viveu tão grande amor.
  2. Figura singular era Maria / em amor ninguém no mundo a superava / vivera suspirando pela vinda do Messias / porém que se fizesse filho seu não esperava. – Cantemos ….. n° 1020

Beda o Venerável (c. 673-735), monge, doutor da Igreja
Homilia 5

«Dar-lhe-ás o nome de Jesus»

Em hebreu «Jesus» significa «salvação» ou «Salvador», um nome que designava para os profetas uma vocação muito determinada. Assim se compreendem estas palavras cantadas num grande desejo de o ver: «A minha alma exultará no Senhor, e rejubilará na sua salvação, a minha alma consuma-se pela tua salvação» (Sl 12,6; 34,9; 118,81). «Alegrar-me-ei no Senhor, exultarei em Deus meu Salvador» (Hab 3,18). E, acima de tudo, «Salva-me ó Deus, por teu nome» (Sl 54,3). É como se disséssemos: «Tu que te chamas Salvador, manifesta a glória do teu nome salvando-me». Portanto, o nome do filho que nasceu da Virgem Maria é Jesus, segundo a explicação do anjo: «É ele que salva o seu povo dos seus pecados»…

A palavra «Cristo», essa, designa a dignidade sacerdotal ou real. Com efeito, os padres e os reis eram «crismados», ou seja ungidos dos óleos santos; por isso, eram sinais daquele que, aparecendo no mundo como o verdadeiro rei, o grande pai, recebeu a unção do «óleo da alegria, primeiro do que aqueles que, com ele, nisso participam» (Sl 44,8). É por causa desta unção que ele é chamado Cristo, e que aqueles que tomam parte nesta mesma unção, a da graça espiritual, são chamados cristãos. Que pelo seu nome de Salvador, Ele se digne salvar-nos dos nossos pecados! Que pela sua unção de grande pai, ele se digne reconciliar-nos com Deus Pai. Que pela sua unção de rei, nos dê o reino eterno de seu Pai.

S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Louvores da Virgem Maria: homilia 2

O nascimento da nova Eva

Alegra-te, Adão, nosso pai, e sobretudo tu, Eva, nossa mãe. Fostes ao mesmo tempo os nossos pais e os nossos assassinos; vós que nos destinastes à morte ainda antes de nos terdes dado à luz, consolai-vos agora. Uma das vossas filhas – e que filha! – vos consolará… Vem então, Eva, corre para junto de Maria. Que a mãe recorra à sua filha; a filha responderá pela mãe e apagará a sua falta… Porque a raça humana será agora elevada por uma mulher.
Que dizia Adão outrora? “A mulher que me deste ofereceu-me o fruto da árvore e eu comi.” (Gn 3,12) Eram palavras más, que agravavam a sua falta em vez de a apagarem. Mas a divina Sabedoria triunfou sobre tanta malícia; aquela ocasião de perdoar que Deus tinha tentado em vão fazer nascer, ao interrogar Adão, eis que agora a encontra no tesouro da sua inesgotável bondade. A primeira mulher é substituída por outra, uma mulher sábia no lugar da insensata, uma mulher humilde tanto quanto a outra era orgulhosa.
Em vez do fruto da árvore da morte, ela apresenta aos homens o pão da vida; substitui aquele alimento amargo e envenenado pela doçura dum alimento eterno. Muda então, Adão, a tua acusação injusta em expressão de agradecimento e diz: “Senhor, a mulher que tu me deste apresentou-me o fruto da árvore da vida. Comi dele e o seu sabor foi para mim mais delicioso do que o mel (Sl 18,11), porque por este fruto me devolveste a vida.” Eis porque é que o anjo foi enviado a uma virgem. Ó Virgem admirável, digna de todas as honras! Ó mulher que temos de venerar infinitamente entre todas as mulheres, tu reparas a falta dos nossos primeiros pais, tu dás vida a toda a sua descendência.

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Homilia sobre o «Missus est»,

«José, Filho de David»

Não há dúvida de que este José, cuja esposa é a Mãe do Salvador, é um homem bom e fiel. Repito, servo fiel e prudente, que o Senhor escolheu como consolo de sua Mãe, sustento da sua carne e, na terra, o único fidelíssimo coadjutor do grande projeto de Deus.
Diz-se também que ele foi da casa de David… Perfeitamente filho de David, não tanto segundo a carne, mas pela fé, pela santidade e pela devoção. Como um outro David, o Senhor o julgou segundo o seu coração e lhe confiou o mistério secretíssimo e santíssimo do seu coração… revelou-lhe as coisas escondidas e ocultas da sua sabedoria e lhe fez conhecer o mistério que nenhum príncipe deste mundo conheceu; enfim, foi-lhe dado o que muitos reis e profetas, querendo ver, não viram, e ouvir, não ouviram; e não só ver e ouvir, mas também carregar, conduzir, abraçar, beijar, nutrir e guardar. Maria e José pertenciam ambos à estirpe de David; em Maria cumpria-se a promessa feita outrora a David, enquanto José era o testemunho desse cumprimento.

Evangelho segundo S. Mateus 1, 18-23.

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Homilia sobre o «Missus est»,

«José, Filho de David»

Não há dúvida de que este José, cuja esposa é a Mãe do Salvador, é um homem bom e fiel. Repito, servo fiel e prudente, que o Senhor escolheu como consolo de sua Mãe, sustento da sua carne e, na terra, o único fidelíssimo coadjutor do grande projeto de Deus.
Diz-se também que ele foi da casa de David… Perfeitamente filho de David, não tanto segundo a carne, mas pela fé, pela santidade e pela devoção. Como um outro David, o Senhor o julgou segundo o seu coração e lhe confiou o mistério secretíssimo e santíssimo do seu coração… revelou-lhe as coisas escondidas e ocultas da sua sabedoria e lhe fez conhecer o mistério que nenhum príncipe deste mundo conheceu; enfim, foi-lhe dado o que muitos reis e profetas, querendo ver, não viram, e ouvir, não ouviram; e não só ver e ouvir, mas também carregar, conduzir, abraçar, beijar, nutrir e guardar. Maria e José pertenciam ambos à estirpe de David; em Maria cumpria-se a promessa feita outrora a David, enquanto José era o testemunho desse cumprimento.

S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Segunda homilia sobre o “Missus est”

“José, filho de David, não temas em receber Maria, tua esposa”

“José, o esposo de Maria, era justo e não queria denunciá-la; decidiu então deixá-la secretamente” (Mt 1,19). Porque era justo, não a queria desonrar. Não teria sido justo se se tivesse feito seu cúmplice depois de a ter considerado culpada nem se, reconhecendo a sua inocência, a tivesse condenado. Por isso, tomou a decisão de a deixar secretamente. Mas porquê deixá-la? Pela mesma razão (dizem os Padres da Igreja) que incitava Pedro a empurrar Jesus dizendo-lhe: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!” (Lc 5,8) Tal como o centurião lhe fechava a porta dizendo: “Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa!” (Mt 8,8)
José, que se via pecador, achava que era indigno de conservar mais tempo em sua casa uma mulher cuja excelência e superioridade lhe inspiravam temor. Via-a trazer em si a marca induvidável da presença divina; incapaz de compreender o mistério, queria deixá-la. S. Pedro temia a omnipotência divina, o centurião ficou aterrorizado pela presença da majestade de Cristo. José, como homem que era, foi tomado de temor perante um milagre tão inesperado e um mistério tão impenetrável; era por isso que, em segredo, pensava deixar Maria.
Não vos espanteis de ver José julgar-se indigno de viver ao lado da Virgem grávida: Santa Isabel também não pôde suportar a sua presença sem ficar tomada de temor e de respeito. “Como pode ser que a Mãe do meu Senhor venha até mim?” (Lc 1,43)
Porquê deixá-la em segredo? Para que não procurassem a causa da sua separação e não viessem exigir explicações. Que teria podido responder este justo a pessoas sempre prontas a contestar? Se tivesse revelado os seus pensamentos, se se afirmasse convencido da pureza da sua noiva, essas pessoas cépticas teriam escarnecido dele e lapidado Maria. José teve pois razão, ele que não queria nem mentir nem difamar. Mas o anjo disse-lhe: “Não temas! O que ela concebeu é obra do Espírito!”

Santo Efrém (c. 306 – 373), diácono na Síria, doutor da Igreja
Hino para a Natividade

«José, filho de David, não tenhas receio»

José abraçava o Filho do Pai celeste
E servia-O como seu Deus.
Regozijava-se Nele como na própria bondade;
e reverenciava-O como o Justo por excelência  (Mt 1, 19).

Grande era a sua perplexidade!
«Como me é dado a mim,
ó Filho do Altíssimo, ter em Ti um filho?
Indispus-me contra a tua mãe,
e pensava repudiá-la.
Eu não sabia que no seu seio
havia um grande tesouro
que, na minha pobreza, repentinamente,
Me tornava rico.

O rei David nascera da minha estirpe
e cingira a coroa.
A que grande despojamento cheguei!
Em vez de rei, sou operário;
mas foi-me dada uma coroa
visto que no meu peito repousa
o Senhor de todas as coroas!»

Cardeal Pedrode Bérulle (1575-1629), teólogo, fundador do Oratório
Vie de Jésus

«A natividade da Virgem Maria. A aurora da salvação.» (Pós comunhão)

Esta santa e divina alma é, para a Igreja, o que a aurora é para o firmamento; precede imediatamente o sol. Mas ela é mais do que a aurora porque não só a precede como deve levá-la e dá-la ao mundo – dar a Vida, a Salvação, a Luz ao mundo – e produzir nele um Sol do Oriente, um Sol nascente, que não é senão a sombra e a figura d’Aquele que nos ilumina.
A terra que desconhecia Deus, desconhecia também esta obra de Deus na terra. Maria nasceu sem ruído, sem que mundo falasse dela e sem que Israel pensasse em tal, embora ela seja a flor de Israel e a mais excelente da terra. Mas se a terra não pensa nisso, o céu a olha e a venera como aquela que Deus fez nascer para um tão grande fim e para conceder um tão grande favor à sua própria pessoa, quer dizer para a revestir um dia duma nova natureza. E este mesmo Deus que dela quer nascer ama-a e olha-a segundo esta qualidade. O Seu olhar não se fixa sobre os grandes, sobre os monarcas que a terra adora, mas o primeiro e mais do ce olhar de Deus na terra se dirige a esta humilde Virgem que o mundo não conhece.
É portanto o mais elevado pensamento do Altíssimo sobre todo a criação. Ele a olha, a acarinha, a conduz como aquela a quem Ele se quer dar a Si mesmo, dar-Se a ela na qualidade de Filho e torná-la Sua Mãe. Assim Deus está e age nela, mais do que ela própria. Ela não tem nenhum pensamento senão através da sua graça, nenhum movimento senão pelo seu Espírito, nenhuma acção senão pelo seu amor. O percurso da sua vida é um movimento perpétuo que, sem interrupção, tende para Aquele que é a Vida do Pai e será em breve a sua Vida , pois nas Escrituras se nomeia como a Vida (Jo l4,l6). Esta Virgem escondida num canto da Judeia, desconhecida ao universo, noiva de José, forma um coro à parte na ordem da graça, de tal modo ela é singular.

Bernardino de Sena (1380-1444), franciscano
Homilia sobre S. José

José, guarda fiel dos mistérios da salvação

Quando a bondade divina escolhe alguém para uma graça singular, dá-lhe todos os carismas necessários, o que aumenta fortemente a sua beleza espiritual. Foi isso mesmo o que aconteceu em S. José, pai de nosso Senhor Jesus Cristo segundo a lei e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Soberana dos anjos. O Pai eterno escolheu-o para ser o sustento e o fiel guardião dos seus principais tesouros, isto é, do seu Filho e da sua esposa; função que ele cumpriu com toda a fidelidade. Por isso, o Senhor lhe disse: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu senhor” (Mt 25,21).

Se comparares José a todo o resto da Igreja de Cristo, não vês que ele foi o homem particularmente escolhido, pelo qual Cristo entrou no mundo de uma maneira regular e honrosa? Se toda a Santa Igreja é devedora para com a Virgem Maria porque foi ela que lhe permitiu receber Cristo, após ela é a S. José que devemos um reconhecimento e um respeito sem igual.

Ele é, na verdade, a conclusão do Antigo Testamento: é nele que a dignidade dos patriarcas e dos profetas recebe o fruto prometido. Só ele possuiu na realidade o que a bondade divina lhes havia prometido. Não podemos certamente duvidar: a intimidade e o respeito que Cristo prestava a José ao longo da sua vida, como um filho para com seu pai, Ele não o pôde renegar no Céu; pelo contrário, enriqueceu-o e completou-o. Por isso o Senhor acrescenta: “Entra na alegria do teu Senhor”.

Lembra-te de nós, bem-aventurado José, intercede pela tua oração junto do teu Filho adoptivo; torna-nos também propícia a bem-aventurada Virgem, tua esposa, pois ela é a mãe daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos sem fim.
Amen.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.