Artigos, CPD, Editorial › 26/09/2018

Resumo do documento preparatório do Sínodo dos Bispos para a Amazônia

Apresentação

A Igreja Católica através do Sínodo da Amazônia se propõe a pensar suas estruturas na região conhecida como Pan-Amazônia. O presente material restringe-se à uma análise da proposta ora em questão unicamente à Amazônia brasileira. Tenho acompanhado com interesse os assuntos e temas relacionados ao Sínodo especial para a Amazônia, desde quando o Papa Francisco fez o seu anúncio em 15 de outubro de 2017. A Igreja no Brasil, através da Comissão para Amazônia, nos últimos anos fez certos esforços para que a preocupação missionária por parte das dioceses capilarizadas por todo país se familiarizassem com as questões amazônicas, principalmente no aspecto missionário.
Aja vista o profícuo projeto “Igrejas Irmãs” implantado na década de 1980. Mas algo que nós amazônidas percebemos é que o elemento não amazônico tem uma visão muitas vezes romanceada e idílica do nosso modo de ser e de nossa cosmovisão. Infelizmente durante muitas décadas de um passado não muito distante, a Amazônia foi ( por muitos ainda “é”) vista como lugar de gente em estado mental menor, destinada a ser conduzida e tutelada pelos de “fora”. Ressalte-se ainda que o modelo de padre e bispo quase
sempre esteve ligado ao “branco” europeu. Como efeito dominó também as escolhas para estudos mais aprofundados nas ciências teológicas nem sem contemplavam gente autóctone, gente morena (há exceções), isto porque o amazônida não se “enquadrava” no padrão padrão de racionalidade tipo ideal: “branco” europeu ou de seus descendentes. Como os povos amazônidas não se viram representados e nem com direito a voz e a vez nesse modelo eclesial houve crescente ruptura no campo comunicativo-linguístico e consequentemente no institucional-eclesial. Não se pode negar que muito dessa realidade tem mudado, mas só depois de uma constatação premente: a rápida e acentuada descatolização da Amazônia. Aqui ao meu ver é o ponto nevrálgico para se posicionar quanto aos desafios da Igreja nesse sub-continente. O documento preparatório é claro quanto ao tema do Sínodo: “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Depreende-se duplo enfoque: eclesial e socioambiental. Acho uma boa direção até porque faz jus à forma com que o Papa Francisco conduz e entende as relações Igreja-mundo. Mas de acordo com os encontros da REPAM nas dioceses e prelazias, assim como também de acordo com o que se publica em torno do assunto observo uma inclinação muito acentuada para temas sociais e sinto que aspectos eminentemente eclesiais são deixados em planos periféricos. Quando do encontro da REPAM em nossa diocese, Cruzeiro do Sul–Acre, era totalmente visível o lado ideológico e até partidário da cúpula organizadora. Achei muito fraco o “pensar a realidade a partir de uma teologia desideologizada”. Diante da pergunta proposta no documento preparatório: “Qual é a missão específica da Igreja, hoje, diante dessa realidade?” Pergunta mais que honesta para uma Igreja em saída, mas a depender do que se torna a linha principal de reflexão, a saber uma linha sociológica, as resposta pode satisfazer os apoiadores de ONGs ou dos esclarecidos do politicamente correto, mas muito aquém do desejado pelos que buscam uma Igreja presente, alimentada sacramentalmente e protagonista do Reino. Muito profunda é a intenção de fazer da Igreja estabelecida na Amazônia uma comunidade eclesial com “rosto” amazônico. Isso passaria por uma transição tendo em vista um episcopado autóctone, pois em sua bases o rosto amazônico é realidade.

  1. Apreciação pessoal feita por Cristiano Tavares, padre diocesano, mestre em Teologia Sistemática, sobre o documento preparatório do Sínodo dos Bispos para a Amazônia a ser realizado em 2019.

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